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Adoçantes – será que vale a pena usar?

Adoçante causa câncer?
Esta é uma grande controvérsia. Estudos realizados em cobaias mostram a relação de alguns tipos de câncer com o consumo de adoçantes, principalmente aspartame, sacarina e ciclamato. Esta relação nunca foi comprovada em seres humanos. São muitos os tipos de adoçantes, e se o consumo não for exagerado, provavelmente não haverá danos maiores em relação ao câncer.
Adoçante causa alergia?
O aspartame é o aditivo alimentar que mais causa reações alérgicas (75% das reações reportadas ao FDA americano). Dentre elas podemos citar: dor de cabeça ou enxaqueca, tontura, náusea, formigamento de braços e pernas, espasmos musculares, ganho de peso, manifestações cutâneas, depressão, fadiga, irritabilidade, taquicardia, insônia, dificuldades respiratórias, ataques de ansiedade, perda de paladar e dor em articulações.

Adoçante causa diabetes?
A sucralose está sob suspeita. Um estudo que acabou de ser publicado na revista científica Diabetes Care (abril de 2013) mostrou que este adoçante altera a resposta glicêmica e a resistência insulínica em seres humanos. A sucralose altera a flora bacteriana e a saúde gastrointestinal, e está ligada ao aumento da ocorrência de doenças inflamatórias do cólon, como colite e síndrome do intestino irritável. E também pode ser a responsável por surtos de enxaqueca em pessoas sensíveis.

Adoçante engorda?
As pesquisas realizadas mostram que o uso excessivo de adoçantes (refrigerantes diet e zero, bebidas lácteas tipo iogurte light, leite de soja light, doces e sobremesas light, no cafezinho, etc.) aumenta o desejo por doces e carboidratos. Quando consumimos o alimento ou bebida com adoçante, o corpo registra o sabor doce na boca e entende que irá entrar energia (açúcar), porém a energia não chega às células. Isto desencadeia a necessidade por carboidratos e assim, por mecanismos bioquímicos, sentimos vontade de comer massas, pães e doces porque nossas células, estimuladas pelo sabor doce nas papilas gustativas, demandam a energia que vem destes alimentos. A consequencia é o ganho de peso.

De modo geral, as pessoas que consomem tudo light ou zero tem uma grande dificuldade de perder peso, até porque existe a tendência a exagerar na dose, ou seja, se o refrigerante é zero vou tomar o litro todo, vou repetir a sobremesa, e assim por diante – afinal é diet…

Adoçante causa inflamação?
Outro fator a ser considerado, é que o consumo exagerado destes adoçantes sintéticos tem uma ação pró-inflamatória no organismo. Eles ficam estocados nos adipócitos (células de gordura) produzindo inflamação e retenção hídrica (inchaço). A obesidade é uma doença inflamatória e a ingestão excessiva de produtos industrializados, incluindo os adoçantes artificiais, colaboram para o nosso corpo ficar inflamado, o metabolismo é alterado, e isso leva ao aumento de peso. Use o adoçante com extrema parcimônia, nenhum exagero é saudável.

Grávidas podem consumir?
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, e realizado na UNIFESP em 2007, revisou a literatura sobre os adoçantes utilizados no mercado brasileiro. Existem poucas informações sobre o uso da sacarina e ciclamato na gestação, e seus efeitos sobre o feto. Devido ao seu potencial carcinogênico em animais, a sacarina e o ciclamato devem ser evitados durante a gestação. O aspartame tem sido amplamente estudado em animais, sendo considerado seguro para uso na gestação. A sucralose e o acessulfame-K não são tóxicos ou carcinogênicos em animais, mas não existem estudos controlados em humanos. Porém, como esses dois adoçantes não são metabolizados, parece improvável que seu uso durante a gestação possa ser prejudicial.

A estévia, substância derivada de uma planta nativa brasileira, não produz efeitos adversos sobre a gestação em animais, porém não existem estudos em humanos. A conclusão do estudo é que, segundo as evidências atualmente disponíveis, o aspartame, a sucralose, o acessulfame e a estévia podem ser utilizados com segurança durante a gestação.

Em minha opinião, o consumo de adoçantes deve ser restrito ao mínimo possível, e o uso durante a gestação deve ser reservado para pacientes que precisam controlar o ganho de peso e para as diabéticas. Evitar refrigerantes light, diet ou zero é essencial, o ideal é optar por suco de frutas, água de coco, água ou chás.

E as crianças?
Existe uma cota para o consumo de adoçantes, a chamada Ingestão Diária Aceitável (IDA). Se uma criança de 30 kg toma uma lata de refrigerante zero, ela já ultrapassou seu limite diário de ciclamato de sódio – edulcorante aprovado no Brasil e proibido nos Estados Unidos. Infelizmente sabemos que o consumo de adoçantes por crianças ultrapassa esta cota com facilidade.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos revelam que em 10 anos o mercado Diet e Light no Brasil cresceu 1328%. É muito comum a criança trocar o consumo de água pelo refrigerante zero, disponível em versões cada vez maiores, as garrafas pet de até 2 litros, que ficam “sentadas na geladeira de forma prática e conveniente”. Além disso, há outros produtos light, como leites de soja, sucos, iogurtes, etc., e isto tudo se soma, excedendo a IDA de forma assustadora.

Reações alérgicas, desordens de déficit de atenção, ganho de peso, tudo isso está associado ao consumo excessivo de adoçantes. Os pais precisam prestar mais atenção e restringir o consumo de refrigerantes e outras bebidas light, diet ou zero. Água é uma excelente forma de se hidratar e as crianças deveriam ser educadas neste sentido. O refrigerante deve ser deixado apenas para as ocasiões especiais. Água de coco e suco de fruta natural são as opções saudáveis.

Fonte: buscasaude
 Matéria pesquisada e adaptada por Tribuna do Nordeste
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