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Faltam 3 mil médicos na periferia de São Paulo

Déficit de médicos castiga moradores da periferia de São  Paulo. Mesmo na maior metrópole do país, a carência de profissionais  atrasa diagnósticos e tratamentos; atrair especialistas para longe do  centro é o maior desafioA distância, a dificuldade de locomoção e a carência de médicos  especialistas formados criam um quadro problemático nas periferias de  São Paulo: a população mais pobre não consegue passar por consultas  médicas e realizar exames no período adequado, aguardando meses pelo  atendimento. Nos rincões da maior metrópole do país falta a porta de  entrada no sistema público de saúde: ginecologistas, psicólogos,  psiquiatras, anestesistas e até clínicos gerais. Nos cálculos da  Secretaria Municipal de Saúde, o déficit é de 2.680 médicos.
 médicos são pauloLúcia  Oliveira, Maria Moreira e Jacy Galvão, denunciam: falta clínico geral  há um ano em seu bairro, no extremo sul de São Paulo (Foto: Danilo Ramos  | RBA)“Temos três vagas de clínico geral e estamos sem nenhum. Dois estão  de licença, um foi embora e não há previsão de quando serão repostos.  Eles são a base”, lamenta o funcionário de um complexo de saúde no  extremo sul da capital paulista, que preferiu não se identificar.  Usuários reclamam que a falta de clínico geral já dura um ano.
“Atendemos aqui 25 mil pessoas e estamos tentando redirecionar para  outras unidades. Temos pediatra, psiquiatra, ginecologista e dentista. A  demanda por psiquiatra é muito grande, por isso atendemos todos os  pacientes, mesmo que não sejam da região.”
A psiquiatria é uma das especialidades prioritárias do Ministério da  Saúde no programa Mais Médicos, lançado este mês pelo governo federal. O  Centro de Atenção Psicossocial (Capes) Infantil Capela do Socorro,  também na zona sul, esperou 11 meses pelo especialista, que chegou à  unidade na última semana. “Tivemos dificuldade de conseguir médico, além  da psiquiatria infantil ser uma área bastante específica”, afirma o  supervisor do Capes, Paulo Cesar da Silva.
A unidade tem três psicólogos, três terapeutas ocupacionais, dois  assistentes sociais, dois enfermeiros, cinco auxiliares, um  farmacêutico, um assistente de farmácia, dois técnicos administrativos,  dois agentes operacionais e um motorista. “Por conta da equipe e do  trabalho multidisciplinar não suspendemos os atendimentos nem os  acolhimentos. Manejamos a situação”, relata.
Nos últimos dez anos, o Brasil criou 147 mil vagas para médicos,  36,7% a mais do que os 93 mil formados no período, o que totaliza uma  carência de 54 mil profissionais, segundo dados do Cadastro Geral de  Empregados e Desempregados (Caged), divulgados em maio. Para tentar dar  conta do problema, o governo federal lançou mão, neste mês, do Programa  Mais Médicos, que prevê aumentar o ciclo de formação dos cursos de  Medicina para garantir dois anos de atendimento obrigatório no Sistema  Único de Saúde (SUS).
Os médicos que se integrarem ao programa, sempre nas unidades de  atenção básica, receberão uma bolsa de R$ 10 mil, além de uma ajuda de  custo que vai de três salários-extras para áreas remotas da Amazônia a  um salário-extra no caso da periferia das grandes cidades. As vagas que  não forem preenchidas por brasileiros serão destinadas a médicos  estrangeiros.
Em São Paulo, a prefeitura criou um um grupo de trabalho com  representantes das secretarias da Saúde, Planejamento e Finanças “para  debater um novo plano de carreira com o objetivo de manter os  profissionais na rede municipal e equalizar o desequilíbrio salarial  hoje existente quando se comparam os salários pagos pela administração  direta, pelas organizações sociais e pelo setor privado. Também será  aberto concurso público este ano para preenchimento das vagas  existentes”. Só no Hospital Municipal Professor Dr. Waldomiro de Paula,  na zona leste, há um déficit de 120 profissionais.
As entidades que representam médicos, como a Associação Médica  Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), rechaçam a  afirmação que faltam médicos para trabalhar nas periferias e nas regiões  isoladas do país. De acordo com as organizações, a carência de  profissionais nessas áreas deve-se à falta de infraestrutura e, por  isso, o Programa Mais Médicos não revolverá efetivamente o problema. COMENTE ESTA MATÉRIA, O QUE ACHOU? COMENTE.
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