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MPF cobra retirada de construções do entorno de açude no RN

Dnocs reconhece que não houve cessão regular para construções na área.
Ocupações geram poluição e abrangem trechos de preservação, diz MPF.Itans Caicó (Foto: Sidney Silva)O açude foi construído no leito do rio Barra Nova, no município de Caicó, Seridó Potiguar (Foto: Sidney Silva)O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF/RN) ingressou  com uma ação civil pública para que o Departamento Nacional de Obras  Contra as Secas (Dnocs) desocupe as áreas irregularmente ocupadas em  torno do açude Itans, no município de Caicó, na região Seridó potiguar.

 Além de contribuir para a poluição das águas do reservatório, o MPF  afirma que as construções são incompatíveis com o uso adequado do açude e  abrangem trechos que deveriam ser destinados à preservação permanente.   O Dnocs confirmou que nunca houve cessão regular para as construções na  área.
  "Não apenas o Iate Clube, mas todos os balneários se encontram, em sua  grande parte, construídos em áreas de preservação permanente. E vale  salientar, que ao longo dos últimos anos, esses espaços, especialmente o  Iate Clube, tem realizado eventos festivos criminosos, sem autorização  legal alguma. O que tem acarretado forte poluição das águas do Itans e  danos significativos ao meio ambiente", informou o departamento em nota  enviada ao MPF.

 A ação civil inclui pedido de tutela antecipada e requer a  identificação das ocupações e construções irregulares, bem como a  situação fundiária das mesmas e o nome de seus proprietários, para que  seja promovida a desocupação dos imóveis e demolidas as construções.

 O MPF requer o mapeamento e regularização oficial das áreas passíveis  de ocupação, com a distribuição ou redistribuição dos lotes de modo que  seus tamanhos e finalidades sejam compatíveis com o uso adequado do  açude.
Itans Caicó (Foto: Sidney Silva)Reservatório foi construído pelo Dnocs
 (Foto: Sidney Silva)O órgão ministerial pede também a suspensão de qualquer atividade não  relacionada às previstas nos contratos de cessão para uso de bem  público, que preveem principalmente o desenvolvimento de agricultura  familiar no entorno do Itans.

 A ação exige ainda a inclusão de medidas preventivas, nos contratos de  cessão de uso a serem firmados, para evitar o agravamento da poluição do  açude, seja por resíduos sólidos ou líquidos provenientes de atividades  agrícolas, esgotos domésticos ou industriais, ou ainda pelo uso de  agrotóxicos.

 Além disso, requer a inserção de cláusulas que determinem a imediata  rescisão no caso de utilização da área para atividades contrárias à  finalidade do reservatório ou que desrespeitem as normas ambientais.

 O Ministério Público Federal enfatiza que existem evidentes problemas  de saúde pública envolvendo o açude, questões que resultam em sérios  impactos para o meio ambiente, sobretudo em decorrência da água,  atualmente sem condições adequadas para consumo humano.

 Uma recomendação foi enviada pelo MPF ao Dnocs há mais de seis meses  cobrando do órgão a identificação das ocupações e construções  irregulares do Itans. Porém, na ocasião a autarquia sequer informou  quais as medidas adotadas para sanar as irregularidades detectadas por  seus próprios agentes no entorno do açude.
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