A quatro quilômetros da costa, entre as praias de São Conrado e Barra, está o arquipélago das Tijucas, formado por três ilhas: a do Meio, que fica mais perto de São Conrado; a Pontuda, a mais alta e com um farol de auxílio à navegação, e a Alfavaca, o melhor ponto para mergulho. Há ainda a pequena laje das Tijucas, outro ponto usado por mergulhadores, mas de difícil ancoragem. Neste pedaço de paraíso, cada vez mais pessoas aproveitam bons momentos, praticando esportes, organizando churrascos ou simplesmente contemplando os bairros a partir de ângulos originais.
O mergulhador e mestre amador de navegação Jairo Venâncio conheceu as Tijucas aos 18 anos. E, desde 2009, deixou de frequentar a praia para passar os dias quentes explorando o mar ao redor da Ilha Alfavaca.
— Em dias de sol, pego um barco com amigos e a família para passar o dia lá. Saímos da marina da Ilha dos Pescadores. Mas, para passar pelo Canal da Joatinga, é preciso ter cuidado: alguns amigos já afundaram ali, e eu mesmo passei sufoco. A saída é rasa, e, se a maré está baixa, faz com que se formem ondas. Minha sugestão é sair só nos dias de mar “flat” (liso) e prestar atenção em mergulhadores e surfistas, bem como nos pilotos de jet ski que passam correndo por ali — diz Venâncio.
Amigos e praticantes da pesca submarina amadora, Igor Ceperuelo e Guilherme Braga são outros frequentadores assíduos. Sempre que podem, e as condições de maré e vento permitem, pegam o barco no Marina Barra Clube e vão até as Tijucas. Ceperuelo ressalta que o arquipélago é o melhor lugar e o mais próximo para quem tem embarcação na Barra.
— Aqui é ótimo. E, em cada época do ano, há peixes diferentes — diz.
Um aquário de garoupas, badejos e pampos
Instrutor de mergulho e pescador profissional registrado no Ministério da Pesca, Francisco Loffredi também é administrador de empresas e jornalista, mas vive da pesca desde 2009, quando criou sua empresa Peixes Ultrafrescos, que comercializa pescados. Loffredi considera as ilhas tanto o quintal de sua casa quanto o local de trabalho.
— Tenho barco aqui no Quebra-Mar (na Barra) desde os 16 anos. Com certeza, o arquipélago é o local onde mais mergulhei e pesquei em toda a minha vida. Muitos dos peixes que comercializo vêm daqui, como garoupas, badejos e pampos. O maior problema é a falta de fiscalização. A pesca ilegal é praticada com frequência. A única coisa que faz um pescador agir dentro da lei é o seu bom senso — diz Loffredi, que já chegou a representar o país em competições de pesca internacionais.
Uma viagem de cinco horas
O arquipélago tem sido visitado com mais frequência por mergulhadores e praticantes de pesca, mas somente uma operadora realiza batismos e mergulhos autônomos. Normalmente, embarcações maiores saem da Baía de Guanabara, especificamente da Marina da Glória, e levam cerca de duas horas e meia para chegar até as Ilhas Tijucas. Uma média de cinco horas para ir e voltar, além do tempo de mergulho, o que torna o passeio cansativo.
O divemaster (líder de mergulho; num grupo, é o responsável pela segurança dos outros mergulhadores) Wagner Rodrigues e o instrutor André Daher descobriram este filão, e, em parceria, realizam atividades com saídas da Barra, se o mar estiver bem calmo.
— Saio da marina da Ilha dos Pescadores pelo Canal da Joatinga com a lancha tripulada e chego às Tijucas em 20 minutos, onde encontro o André com a traineira e todo o equipamento necessário para o mergulho — diz Rodrigues, dono da operadora Mergulho Carioca, que funciona na Freguesia há três anos.
— O melhor ponto de mergulho recreativo do arquipélago fica ao sul da Alfavaca. Ali é praticamente um aquário abrigado do mar aberto, ideal para quem quer contemplar a fauna marinha e não tem tanta experiência — aconselha Daher, dono da Personal Diver, que, além de passeios, oferece aulas em grupo e particulares.
O Globo


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