.
Notícias :
Home » , » Registrar uma ocorrência na delegacia pode ser um suplício

Registrar uma ocorrência na delegacia pode ser um suplício

Vítimas da violência relatam o descaso enfrentado ao procurar atendimento nas delegacias de Fortaleza. Em um dos casos, empresária esperou três dias para conseguir entregar a prova de um crime
18/04/2013 - A empresária tinha, em mãos, a prova do crime, mas não conseguia entregar para a Polícia. O material - imagens de um furto flagradas por câmeras de segurança - só foi recebido pelos policiais após a vítima ir três vezes à delegacia, em três dias diferentes. “Achei um absurdo. Uma falta de respeito. Fiquei indignada com a falta de comprometimento”, desabafou a empresária, que O POVO opta por não identificar.
No segundo dia da série sobre deficiência no atendimento policial, O POVO conta histórias de pessoas que tiveram dificuldade para registrar, em delegacias da Capital, a ocorrência de crimes. No caso da empresária, a unidade procurada foi o 2º Distrito Policial (Meireles). Ela teve as câmeras de segurança de sua empresa furtadas, por duas vezes, em menos de 48 horas, no início da semana passada. As imagens do criminoso ficaram registradas na memória da central de segurança do local.
O primeiro furto ocorreu na segunda-feira, 8, por volta das 5h10min. No mesmo dia, a empresária foi até o 2º DP. Ela conta que chegou à delegacia às 16h30min e só foi atendida às 19 horas. Somente o Boletim de Ocorrência foi lavrado. “O escrivão que estava no local falou que não poderia receber o vídeo, pois a delegada não estava, e pediu que eu voltasse no dia seguinte”, disse.
A empresária retornou ao local na terça, 9. Na ocasião, uma funcionária teria informado que a delegada não estava atendendo e pediu que ela voltasse três dias depois. No mesmo dia, às 23 horas, a empresa foi novamente furtada, pelo mesmo criminoso. A câmera que havia sido substituída também foi levada. Outra vez, a ação foi registrada. Somente no dia seguinte, 10, a empresária conseguiu entregar os vídeos para a titular do 2º DP, Mozarina Lacerda. “Ela prometeu uma investigação, mas ainda não tive retorno. Vivemos um caos na segurança pública”.
Situação semelhante foi vivenciada por uma diretora de marketing. Ela teve o carro roubado no dia 13 de novembro do ano passado, no bairro Dionísio Torres. Câmeras de segurança de um prédio filmaram a ação. A vítima registrou o B.O, no mesmo dia, também no 2º DP. Porém, soube da gravação dias depois. “Quando tentei entregá-la à Polícia, o delegado disse que só a titular poderia receber. Em outra tentativa, o mesmo delegado disse que não receberia porque o roubo ocorreu fora da jurisdição da delegacia. Acabei desistindo. A sensação é que as pessoas não estão nem aí para receber uma prova que pode ajudar a prender um criminoso. É um descaso”, concluiu.
Outro exemplo
Um administrador de empresas também teve dificuldade para registrar um B.O referente a um simples acidente de trânsito, ocorrido no dia 4 de março último. Ao lado da esposa, ele peregrinou por cinco horas, durante a noite, em busca de atendimento nas delegacias plantonistas da Capital. Apesar da demora e do trajeto percorrido, não conseguiu ser atendido naquele dia. A vítima tentou atendimento nas delegacias dos bairros Cidade dos Funcionários, Conjunto São Cristóvão e Meireles. (colaborou Tiago Braga)
ENTENDA A NOTÍCIA
Cidadãos relataram ao O POVO a dificuldade enfrentada para conseguir registrar um Boletim de Ocorrência nas delegacias da Capital. Vítimas da violência urbana, eles se queixam do atendimento prestado pela Polícia Civil na Capital.
Fala, internauta
“Fui assaltado e liguei para esse péssimo serviço. Foram 22 ligações e nenhum atendimento. O Cotam foi quem apareceu uma hora e meia depois, e informou que precisou deslocar-se de outro bairro, pois não havia viaturas na região”. Roberto Léia
“(O Ronda) foi um programa bem intencionado, mas que funcionou só no começo. Hoje está totalmente desmoralizado. Existem áreas da cidade que o Ronda não entra. Isso é público e notório”.Fernando Duarte
Resumo da sérieOntem, O POVO publicou matéria sobre o Ronda do Quarteirão. A reportagem ligou para as 122 viaturas que atendem a Grande Fortaleza, mas somente metade das chamadas foi atendida.
O POVO. Matéria pesquisada e adaptada por Tribuna do Nordeste
Share this post :

Postar um comentário

 
Support : Creating Website | Johny Template | Midia Comunicação digítal
Copyright © 2013. Tribuna do Nordeste - All Rights Reserved
Template Created by Creating Website Published by Mas Template
Proudly powered by Produzido Por Luiz gustavo